Autora: Josy Tortaro
Lançamento: Novembro de 2012
Editora: Literata
Resenha:
“Unaí disse que não teríamos este privilégio. Que o Filho da Terra seria branco e andaria entre eles e que ele não nasceria neste mundo. Os espíritos disseram que o deus seria cuspido pela terra.”
No segundo livro da Saga Os Quatro Elementos, conhecemos Lucca Gonçalves, arqueólogo, morando em Curumbá, interior do Pantanal, com a família humilde que o adotara quando fora encontrado aos dois anos de idade.
O rapaz se sente uma aberração por ser tão claro – e ruivo! – em uma região de pessoas com peles douradas como os índios.
Logo descobriremos que ele não é uma aberração apenas pelo tom de sua pele...
Filho da Terra começa exatamente aonde termina Marcada a Fogo e o interessante é que como se fossem um livro só, apenas com uma visão diferente, dessa vez de Lucca e não de sua irmã, Tamires; E isso é muito bom. Vemos vários autores perdendo o sentido e mudando sua escrita completamente de um livro para outro em uma saga, mas a escrita da Josy é uniforme e fiel a si mesma.
Ela simplesmente continuou a história.
É ótimo porque dá para matar a saudade da personagem principal do livro um, ao mesmo tempo em que conhecemos todo um mundo diferente.
E ver Lucca se transformando como Tamires se transformou e poder assistir a como os dois, apesar de irmãos e possuindo o mesmo tipo de poder divino, reagem de maneiras distintas a esse mundo mágico e todas as crenças de povos que nunca ouviram falar é a melhor coisa do livro.
Lucca, que como qualquer arqueólogo, gosta de fatos – e relíquias – para enfim acreditar nas coisas, se vê tendo que crer em uma lenda indígena contada por uma índia que fala muito sobre destino. O destino dele.
O cara certinho dividido entre a responsabilidade, o dever e a algo muito maior que ele. Talvez maior que todos nós.
“– O amor convida o amor, Lucca. – respondeu Mainá – Assim como acontece com outros sentimentos, bons ou ruins. Eu sempre amei você, mesmo antes de te conhecer. E se ainda agora você tivesse escolhido outra, eu ainda te amaria. Não m e agradeça, por favor. Apenas me ame. – e o apertou fortemente contra si.”
O que eu mais gosto da escrita da Josy é o cuidado que ela tem com os detalhes das paisagens, sem ficar maçante, apenas para que a gente entre na história e se sinta lá no meio da mata, numa praia com tartarugas em extinção, num sítio arqueológico cavando a terra à procura de algo, numa grande fazenda com seus gados... Eu senti o gosto da terra, da areia da praia, o cheiro das plantas e o doce das águas dos rios. Eu pude ver os indígenas em sua aldeia e, com perfeição, seus rostos pintados, assim como pude desfrutar de um piquenique romântico à tarde no parque. Ouvi o barulho das crianças em volta e os latidos dos cachorros. O calor do Sol.
E, fui convidada a um casamento, com todos seus cuidados e preparativos.
Filho da Terra, assim como Marcada a Fogo, nos mostra desde o início quem é o cara bom e quem é o cara mau, apenas para que, na metade do livro, passemos a confiar, a simpatizar com o personagem, com seus argumentos, com sua história de vida... Daí vem uma reviravolta e você não sabe mais em quem confiar.
Enquanto Marcada a Fogo nos queima com sua verdade inesperada, Filho da Terra tira nossos pés do chão com um final eletrizante.
Eu quero gritar: O QUE FOI AQUELE FINAL?
Digno de um filme de ação.
Josy deixa várias pontinhas soltas para o próximo livro e a continuação da saga, assim como deixou algumas desde o primeiro, apenas para nos prender – e torturar!
Ficamos com a sensação de que o clímax, verdadeiro clímax, está chegando... Que nada do que vimos é o que o realmente a autora tem para nos oferecer. Que muitas e muitas descobertas virão, como mais dúvidas, mais vilões, mais amores e cenas quentes... Como mais mistérios e mais, mais, mais magia e fé.
Fé na Natureza. Nos próprios sonhos e princípios. Fé na vida. No fogo, na Terra, na Água e no Ar.
Depois do Fogo e da Terra, o que virá? Está preparado?
